A coluna assinada pelo jornalista Bernardo Mello Franco e publicada no jornal O Globo neste domingo (18) trouxe ao debate da corrida presidencial as posições históricas do senador e candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) sobre o regime militar brasileiro. Sob o título “Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro”, o texto cruza a data de nascimento do parlamentar — 30 de abril de 1981, mesmo dia do atentado a bomba orquestrado por militares no Rio de Janeiro — com o histórico de declarações em que ele exalta agentes da repressão e contesta apurações sobre violações de direitos humanos.
O colunista aponta que, embora o nascimento no mesmo dia do episódio do Riocentro seja uma coincidência cronológica, as manifestações públicas do político ao longo da carreira são opções deliberadas. O artigo destaca discursos proferidos por Flávio entre 2004 e 2011 na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), período em que ele comemorava o aniversário do movimento de 1964 e negava a ocorrência de um golpe militar no país.
Exaltação a agentes e críticas à Comissão da Verdade
A publicação resgata trechos do livro Mito ou verdade, publicado pelo senador em 2017, no qual ele defende abertamente a atuação de órgãos de repressão:
-
Defesa de agentes: No livro, Flávio afirma que os agentes do regime autoritário “deveriam ser tratados como heróis nacionais” em vez de marginalizados.
-
Elogios a Ustra: O candidato faz a defesa explícita do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra — reconhecido pela Justiça como torturador —, descrevendo-o como um “homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”.
-
Ataques à apuração histórica: Flávio acusa a Comissão Nacional da Verdade de “tentar reescrever a História à luz da visão dos terroristas” e levanta ilações sobre a morte do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado nas dependências do DOI-Codi, sugerindo que o crime teria sido cometido por organizações de esquerda.
A análise de Mello Franco ressalta ainda a proximidade ideológica de Flávio com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, lembrando que ambos mantiveram alinhamento com militares investigados pelo atentado do Riocentro. Para o jornalista, apesar de a campanha presidencial de 2026 tentar moderar o discurso e evitar menções ao regime militar, o resgate desse histórico se impõe como elemento de escrutínio público, sobretudo no cenário político posterior aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e às investigações sobre tentativas de golpe de Estado no Brasil.