SÃO PAULO — Pesquisadores do laboratório NanoGeneSkin, da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma tecnologia baseada em nanopartículas microscópicas para o tratamento de doenças dermatológicas crônicas e graves, como psoríase, vitiligo e câncer de pele. A inovação entrega moléculas de RNA de interferência diretamente nas células cutâneas atingidas, atuando como um “interruptor genético” que silencia os genes responsáveis pela inflamação e destruição celular, sem necessidade de ação sistêmica pelo corpo.
Fruto de cerca de 20 anos de estudos, o avanço supera um histórico desafio médico ao utilizar sistemas de cristal líquido e nanopartículas lipídicas para proteger o RNA e atravessar a barreira da pele com alta taxa de absorção. A abordagem promete substituir o uso de imunossupressores tradicionais por tratamentos tópicos de precisão, reduzindo drasticamente os efeitos colaterais adversos.
A plataforma surge como um marco para a medicina de precisão com potencial de impacto global, considerando que a psoríase afeta cerca de 190 milhões de pessoas no mundo — sendo 5 milhões no Brasil —, o vitiligo atinge dezenas de milhões e o câncer de pele lidera os diagnósticos oncologicos mundiais. Após a validação em modelos celulares e testes animais, a equipe da USP busca agora parcerias com a indústria farmacêutica para viabilizar os testes clínicos em humanos e a transferência da tecnologia ao mercado.






